segunda-feira, 13 de junho de 2011

O tabu foi quebrado, mas e agora?

Ontem assisti ao documentário Quebrando o Tabu, do diretor Fernando Grostein Andrade. O documentário trata do mundo das drogas, mostrando que a mesma existe desde muitos milhões de anos antes de Cristo e que sempre existirá apesar de qualquer esforço político. Bill Clinton, Jimmy Carter e outros ex-chefes de estado de alguns países, como Colômbia, México e Suiça, além do escritor Paulo Coelho, do médico Dráuzio Varella, do ator Gael García Bernal gato e também de pessoas comuns, dão seus depoimentos sobre o assunto baseados nas experiências, diretas e indiretas, que já tiveram com todos os tipos de drogas. Fernando Henrique Cardoso guia todo o documentário.

É um bom documentário, pois, como o próprio nome já diz, ajuda a quebrar o tabu de falar abertamente sobre as drogas com os filhos e com toda a família. Dá uma visão ampla da questão que muita gente, inclusive eu, não sabia, nunca tinha parado para pensar e/ou não tinha se tocado. Mostra como a Guerra às Drogas - War on Drugs - declarada pelos Estados Unidos há 40 anos só agravou ainda mais a situação na sociedade americana e mundial. Os resultados dessa guerra perdida, numa escala global, são abusos, informações equivocadas, epidemias, violência e o fortalecimento de redes criminosas.

O que achei mais legal no documentário foi ver as soluções encontradas por países europeus, como Portugal, Espanha, Suíça, França, Alemanha e Holanda, para diminuir significativamente o uso das drogas e a contaminação dos adictos por meio do compartilhamento de seringas. A mentalidade da população foi trabalhada sobre o fato de que pessoas viciadas não são criminosas, e sim doentes. Foi feita uma descriminalização das drogas, mas os viciados precisam pagar por isso, mas não através da justiça, como ocorria antes. Na Alemanha e na Suíça existem salas de uso para que os viciados em drogas, até que consigam largar o vício, possam usar as drogas em segurança, com seringas e materiais descartáveis com assistência médica para diminuir o risco de overdose e transmissão de doenças. Em todos os países que citei acima, existem clínicas de reabilitação, pasmem, públicas para os adictos. Devido a essa mudança de pensamento e de comportamento dos governos, muitas pessoas conseguiram largar o vício e hoje levam uma vida normal.

Os governos dos países europeus percebeu que declarando uma guerra às drogas e criminalizando os viciados só estavam aumentando ainda mais o uso de drogas, coisa que os Estados Unidos não perceberam ainda. No filme, são mostradas propagandas americanas anti-drogas antigas, que faziam um terror enorme em relação às drogas, dizendo que você morreria se fumasse maconha. Até a trilha sonora das propagandas lembra trilhas de filmes de terror. Isso fazia os jovens terem ainda mais vontade de experimentar maconha para provar que não iriam morrer fumando maconha, pagar pra ver mesmo. Aí viram que não iriam morrer e que era cool fumar maconha e começou a aumentar o consumo, principalmente nos anos 60, era da liberação sexual e do surgimento do Rock’n’roll. A verdade é: se drogar-se fosse ruim ninguém se drogava. Deve ser bom ficar em estado de nirvana, esquecer os problemas por alguns instantes. Digo deve porque nunca experimentei nem cigarro e nem pretendo experimentar nada. O fato é que viver é muito complicado e nem todos conseguem enfrentar os problemas e nem todos têm um escape relevante, então a droga entra como um belo escape.

Achei curioso também quando o Dráuzio Varella disse que todo consumidor de drogas é também traficante. Se formos parar para pensar, é verdade. Compradores e viciados oferecem a droga para outras pessoas que querem experimentar. Como ele mesmo afirmou, também é muito mais fácil uma pessoa só subir o morro, entrar em becos e ir até pontos de venda de drogas para comprar com traficantes do que 10 pessoas irem, já que a droga é algo criminalizado ainda em muitos países, incluindo o Brasil. Aí esta pessoa venda para todas as outras e às vezes cobra um pouco mais, pois percebe que assim a parte dela sai de graça ou quase de graça.


Nesses pontos, o documentário é muito bom, para esclarecer e informar. Mas, porém, contudo, todavia... Esqueceu-se de mencionar o caso brasileiro e como ele pode ser resolvido. Claro, porque não é do interesse do Governo brasileiro resolver isso agora e nem nunca. Para mim, os principais problemas relacionados às drogas aqui no Brasil são os mendigos e a saúde. Nos países da Europa, praticamente não há mendigos. Na Suíça, não existe mendigo. Quando estive na Espanha, só vi 2 mendigos durante toda a viagem – um em Madrid e outro em Barcelona. Só que aqui no Brasil há milhares de mendigos espalhados por todos os cantos das cidades de todo o país. Esses sem-teto, em sua maioria, são viciados em drogas, em principalmente em crack, e quase todos são criminosos, pois roubam, assaltam e agridem as pessoas, muitas vezes motivados pela droga ou pela falta dela, para conseguir mais droga. A saúde no Brasil é caótica, não há hospitais suficientes e os existentes não suprem nem de longe as necessidades da população. Clínicas de reabilitação públicas, então, são artigos raros; e os mendigos recolhidos sempre fogem, pois a maioria só os abriga para dormir. A grande questão é: de onde os mendigos vão tirar força de vontade para largar o vício? Se esses mendigos conseguirem se livrar do vício, o que eles vão fazer de suas vidas? O Governo vai dar moradia e emprego para todos eles? Quem vai querer contratar ex-mendigos ex-drogados? Por que os mendigos vão querer se tratar se sabem que o Governo não lhes dará nenhuma estrutura nem durante o tratamento, se houver tratamento? Se a saúde no Brasil é tão precária, imaginem as clínicas de reabilitação.

Foi uma cara de pau sem fim o FHC falando que na época que era Presidente não conseguiu pensar em nenhuma solução! Ora, ele fez faculdade de Ciências Sociais, se formou Sociólogo, passou 8 anos no cargo e não conseguiu pensar? Imaginem os Presidentes que o vieram depois e ainda virão. Além disso, ele como Presidente tinha contato com outros Presidentes do mundo. Se não conhecia todos, conhecia quase todos, e tinha informações frequentes de todos os países.

É como dizem por aí: nada se cria, tudo se copia. Os bons exemplos da Europa deveriam ser copiados pelo Brasil, mas falta boa vontade e honestidade políticas. Vários países em situação estável em relação às drogas e o Brasil nem começou a engatinhar. Vergonhoso.

5 comentários:

Dama de Cinzas disse...

Muito bem escrito esse texto! Vou ver se acho o documentário pra ver.

Beijocas

lpzinho disse...

Rá querida! Que texto bacana... amo a sua forma de argumentar! Aliás... amo mto vc né ehhehe Mas enfim, sobre o texto e o documentário... fiquei curioso pra ver! Embora ache que o assunto em questão tenha apenas uma chance de ser tratado e parcialmente resolvido. E este jeito é possibilitando conhecimento, instrução, educação a um povo. Ainda assim, mtos deverão aderir ao vício, consumo, etc por razões as mais diversas possíveis. Mas acredito que com mais cultura e conteúdo, com a cabeça ocupada com trabalho produtivo e satisfatório, com educação, aprendizado e sem tempo demais pra carnavalizar a vida, as coisas mudem! Fora isso... enfim, fora isso... seremos sempre Brasil!

Simara **(Plantão da Beleza)** disse...

Oi linda adorei seu blog e ja estou seguindo ta.E não deixe de me visitar, sua presença é muito importante pra mim.
Você é bem vinda por lá sempre.

Meus cantinhos:
http://plantaodabeleza.blogspot.com/
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Beijossssssssss simara

Jana Pereira disse...

Flor legal a maneira que vc abordou estou te seguindo!
boa sorte no sorteio, voltando a visitar os bloguitos estava com saudades, amei o post
Tem post novo no blog a moda das japas!
Jana Pereira
@blojanna
http://www.rosaepinkbyjana.com

Ana Wanderick disse...

Oi linda, tudo bem?
Confira o novo post e deixe a sua opinião: "O Que você acha de ter sorteio de uma peça de roupa da República das cores no blog?"

Te aguardo no meu cantinho.
Grande beijo!
http://luckydayss.blogspot.com/

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