quarta-feira, 18 de abril de 2012

The Hunger Games

Jogos Vorazes (The Hunger Games)
Direção: Gary Ross
Origem: Estados Unidos da América
Ano: 2012

Sinopse: Num futuro distante, boa parte da população é controlada por um regime totalitário, que relembra esse domínio realizando um evento anual - e mortal - entre os 12 distritos sob sua tutela. Para salvar sua irmã caçula, a jovem Katniss Everdeen se oferece como voluntária para representar seu distrito na competição junto com Peeta Melark, desafiando não só o sistema dominante, mas também a força dos outros oponentes, e descobrindo que sua força é maior do que imaginava.

Um filme que Assisti ontem a Jogos Vorazes no cinema e me surpreendi. Superou as minhas expectativas. Sempre pensei que fosse uma história para adolescentes, mas é tão pesada que para adolescente não tem nada. O livro nem deveria ser classificado como infanto-juvenil. Crianças matando crianças, servindo como diversão para várias pessoas, não pode ser algo leve. A história é uma distopia cheia de metáforas ótimas! O filme me pôs para pensar mais ainda em coisas que já costumo pensar.

Assim como as personagens do filme, também precisamos lutar para viver (e, em muitos casos, para sobreviver), precisamos enfrentar situações complicadas para as quais não estamos previamente preparados e usar nossas habilidades, abrir mão de algumas coisas em favor de outras, nos defender e defender quem amamos, aprender sempre coisas novas que nos ajudem em várias situações durante a vida, e tudo isso sem perder a nossa essência e o nosso caráter, o que, infelizmente, acontece com algumas pessoas pelo meio do percurso. A vida é isso: uma selva repleta de animais tentando se engolir para sobreviver. Porém, apesar de tudo, também temos momentos alegres, e são eles que nos dão força para continuar a nossa luta diária.



Conhecemos muitas pessoas ruins, más, sem caráter, sem respeito, que parecem não ter bons sentimentos dentro de si, que mentem, que nos sacaneiam, nos jogam para baixo, que querem sempre nos passar uma rasteira, que tentam nos derrubar a qualquer custo e às vezes conseguem, fazendo com que tenhamos que tirar forças do Limbo para nos reerguer, e outras vezes não conseguem, reafirmando a nossa força. Contudo, também conhecemos pessoas boas pelo caminho que nos ajudam e também são ajudadas por nós; algumas que permanecem em nossas vidas e outras que, seja qual for a razão, vão embora, mas sempre deixando a sua marca.

Obstáculos sempre vão aparecer, apesar de não serem abelhas-vespas geneticamente modificadas, bichos estranhos que parecem uma mistura de urso com cachorro gigante, árvores que brotam e que pegam fogo ao comando de um super computador e pessoas enlouquecidas te atirando facas. flechas e espadas, mas todas as nossas dificuldades estão representadas em todos estes que aparecem no filme.


Apesar de vivermos em uma suposta democracia, temos muito do totalitarismo retratado em Jogos Vorazes. Do mesmo modo como os idealizadores dos jogos, nossos governantes também nos fazem passar por alguns “jogos”, apesar de não serem tão evidentemente mortais. Assim como na história de Suzanne Collins, os governantes são sádicos e gostam de ver o povo sofrer (e riem disso) enquanto aproveitam tudo o que a vida e, principalmente, o dinheiro e o poder têm de bom a lhes oferecer; enganam o povo com esmolas, dando-lhes esperança de algo que nunca irá acontecer, como acontece quando apenas um tributo pode sobreviver nos jogos e utilizam de repressão para manter o povo no controle, mesmo que muitas vezes esteja mascarada. Além disso, a população dos 12 distritos vive em plena miséria, enquanto o distrito principal vive em completo luxo e tecnologia. Não lhes parece familiar?

O programa de televisão Jogos Vorazes é uma mistura de Big Brother com luta de gladiadores romanos, onde os 24 tributos participantes são vigiados o tempo inteiro e lutam com o objetivo de ser o único sobrevivente. Em vez de R$ 1,5 milhão, o prêmio é a própria vida, e com o peso de ter matado alguns de seus concorrentes. Mesmo estando em uma situação péssima, os tributos ainda são obrigados a sorrir, serem simpáticos para conquistar o público e os patrocinadores e fingirem que estão felizes e entusiasmados com o fato de que podem morrer amanhã. Ser obrigado a ter a morte iminente com certeza não é nada divertido, apenas para a sociedade sádica do Distrito principal, que se veste e se maquia como um grande circo dos horrores. Cores demais, maquiagem demais, penas demais, panos demais, leques demais, risos demais e maldade demais.


Não há nada mais sádico do que a frase dita a todo tempo no filme pelos idealizadores e organizadores do programa: que a sorte esteja sempre a seu favor. 23 dos 24 tributos irão obrigatoriamente morrer e eles ainda desejam sorte. Faça-me um favor. Mais sádico ainda é levar os 24 para viver alguns dias no luxo extremo antes de morrer, quando viveram na miséria a vida toda. Que diferença eles acham que fará?

Quanto ao filme em si, a atuação da Jennifer Lawrence está impecáveis no papel de Katniss, assim como a atuação dos lindos Liam Hemsworth e Josh Hutcherson como Gale e Peeta. Lenny Kravitz também representou muito bem. Bem dirigido, bem produzido, com um ótimo roteiro e figurinos e maquiagem impecável. Gostei tanto do filme que fiquei curiosa para saber o que vai acontecer nas continuações e com vontade de ler toda a trilogia. Recomendo!

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