quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Os Lobos Maus

Terror, sadismo, psicopatia, vingança, humor negro e suspense policial. Misture todos estes elementos e o resultado será Os Lobos Maus. No longa, a polícia investiga assassinatos em série, no qual um serial killer sequestra, tortura, molesta e depois mata suas vítimas - menininhas inocentes - antes de decapitá-las e desaparecer com suas cabeças. Por um erro da polícia, o principal suspeito é solto sem ser oficialmente interrogado, o que não impede Miki, um violento policial que atua à margem da lei, de continuar investigando o caso a seu modo, e do pai de uma das vítimas de ir atrás do suspeito com desejo de vingança.

Miki é destituído da investigação após ser o cabeça de um episódio de agressão contra o único suspeito do caso – o professor de religião Dror. É aí que Yoram, pai de uma das meninas assassinadas, começa a vigiá-lo e descobre que Miki teve a mesma ideia. Em um episódio na floresta, Yoram acaba sequestrando Miki e Dror e levando-os para sua nova casa isolada, cercada por uma aldeia árabe, para colocar seu sádico plano de vingança em prática – fazer com que o assassino de sua filha passe pelas mesmas torturas a que foi submetida antes de morrer e saber onde está escondida a sua cabeça. O pai faz do policial seu cúmplice e depois sua vítima, após um desacordo quanto à conduta a ser tomada durante o processo vingativo.


Para compor a história e as cenas da dita tortura em seu segundo longa-metragem (o primeiro foi Raiva), Navot Papushado e Aharon Keshales tiveram como fonte de inspiração desde contos infantis até filmes hollywoodianos. A forma como o serial killer atraía as meninas lembra a forma como a bruxa atraiu João e Maria: com doces; no caso, com lindos bolos decorados e recheados de soníferos. A dupla de diretores israelenses também se inspirou no conto da Chapeuzinho Vermelho, onde esta é representada por cada menina sequestrada e o lobo mau é representado pelo sequestrador – o título do filme não é um mero acaso. O fato do mesmo decapitar as vítimas e guardas suas cabeças como souvenir lembra o assassino em série de Sleepy Hollow no filme A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça, de Tim Burton. Também é possível comparar o psicopata de Os Lobos Maus ao psicopata Zodíaco, do filme de mesmo nome, visto que todas as evidências levam o público à identidade sugerida do assassino durante quase toda a trama, mas nunca há provas suficientes para a polícia pegá-lo, criando um clima constante de tensão, apoiado numa marcante trilha sonora.

Além disso, há uma clara referência à Trilogia da Vingança (Mr. Vingança, Oldboy e Lady Vingança), do sul-coreano Chan-wook Park, em que sempre existe uma garotinha sequestrada e um plano de vingança – como o próprio nome da trilogia já sugere – em virtude de tais sequestros e de suas penosas consequências. Inclusive, o plano de Yoram é bastante parecida com o plano de Lee Geum-Ja no último filme da trilogia, Lady Vingança. Já o final do filme, se assemelha ao de Jogos Mortais 3.


Em Os Lobos Maus, o clima de suspense é quebrado de forma caricata diversas cenas pelo uso do humor, mesmo quando é utilizado o humor negro. Pode-se dizer que o filme israelense é uma ironia, mas também uma homenagem ao gênero suspense policial, principalmente norte-americano. E parece que seu estilo agradou bastante seu país natal, pois recebeu 10 indicações ao prêmio da Academia de Cinema de Israel.

*Este texto também foi publicado aqui no Almanaque Virtual.

Festival do Rio 2013 – Mostra Midnight Movies
Os Lobos Maus (Big Bad Wolves)

Israel - 2013. 110 minutos.

Direção: Navot Papushado e Aharon Keshales

Com: Lior Ashkenazi, Rotem Keinan, Tzahi Grad, Dov Glickman e Menashe Noy


Nota: 4

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