terça-feira, 19 de novembro de 2013

Dreileben: Algo melhor do que a morte

Três diretores de cinema, membros da Escola de Berlim - Christian Petzold, Dominik Graf e Christoph Hochhäusler -, se reúnem para discutir sobre cinema alemão contemporâneo e estéticas cinematográficas atuais. Dois anos depois, surge o projeto coletivo Dreileben, exibido pela primeira vez em Berlim no ano de 2011, que consiste em três histórias individuais em torno do mesmo tema: a fuga de um criminoso sexual. Em comum, os três filmes possuem o lugar onde é desenvolvida a trama, o povo da cidadezinha inventada Dreileben e um caso de polícia envolvendo um criminoso que norteia as três histórias. Os filmes partem de um mesmo princípio, porém os personagens de cada um seguem seus destinos de maneiras diferentes, que podem ou não se convergir em um ponto comum. Cabe ao espectador assistir e tirar suas próprias conclusões acerca das três obras, que possuem suas próprias realidades, distintas entre si.

Dreileben: Algo melhor do que a morte tem como base uma complicada história de amor entre dois jovens – Johannes e Ana. A cidade fictícia Dreileben, situada no meio da floresta da Turíngia, região central da Alemanha, é o cenário não só para o romance juvenil como também para a fuga de um criminoso sexual do hospital onde trabalha Johannes. De forma concomitante, ocorre uma incessante caçada policial e a construção de um ardente romance entre Ana e Johannes.


Johannes (Jacob Matschenz) é um rapaz responsável que desempenha a função de enfermeiro como serviço militar alternativo no hospital da cidade pequena acima citada, recrutado por um amigo da família que é médico-chefe do local, e que sonha em estudar medicina em Los Angeles. Já Ana (Luna Mijovic) é uma refugiada da Bósnia que trabalha como camareira em um hotel da mesma região e sustenta a mãe e o irmão pequeno, mas que não deixa de aproveitar a sua juventude e beleza. Os dois acabam se conhecendo depois que um rapaz agressivo com quem Ana estava saindo faz uma “brincadeira” de mau gosto com ela, seguida de maus tratos, à noite no meio da floresta, onde Johannes estava relaxando nu perto do rio há algumas horas. Sem se deixar ser visto, ele espera o rapaz ir embora de lá junto com seu grupo, pega de volta suas roupas, socorre Ana, a salva do molestador que fugiu (sem saber), leva-a para sua casa e, assim, tem início a conturbada relação do casal protagonista.

Rapidamente, Ana se mostra uma menina desconfiada, mimada, instável e temperamental. Por estar muito apaixonado, Johannes sempre acaba relevando as atitudes desmedidas de sua amada, até ela atingir o seu limite. O que começou com um encontro tão inusitado resultou em um relacionamento excêntrico e sem futuro. De repente, tudo muda entre o casal após uma festa dada pelo médico-chefe, que Ana insiste em ir apesar de Johannes ter um motivo muito forte, até então oculto para sua companheira, para não querer ir.


Christian Petzold, o cineasta mais conhecido da Escola de Berlim, diretor e roteirista dos filmes A Segurança Interna e Yella (que também estrearam no Festival do Rio deste ano), foi o eleito para dirigir e roteirizar a primeira parte da trilogia Dreileben. Não por acaso, Algo melhor do que a morte é o melhor filme desta, pois a aura de mistério e suspense, devido ao molestador estar foragido e rondando os moradores da cidade, se faz presente durante toda a película, simultaneamente ao romance central, mantendo o interesse do espectador do início ao fim. Sem dúvida, Petzold começou o projeto com o pé direito.

*Este texto também foi publicado aqui no Almanaque Virtual.


Festival do Rio 2013 – Escola de Berlim

Dreileben: Algo melhor do que a morte (Dreileben: Etwas besseres als den Tod)

Alemanha - 2011. 88 minutos.

Direção: Christian Petzold

Com: Jacob Matschenz, Luna Mijovic, Rainer Bock, Vijessna Ferkic e Konstantin Frolov.


Nota: 4

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