quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Dreileben: Não me siga

Não me siga é a segunda parte da trilogia Dreileben e também a que mais faz jus ao seu nome, já que a expressão alemã "drei leben" pode ser traduzida como "três vidas" e há um triângulo basilar formado nesta parte da trilogia. Sua trama é norteada pelo passado compartilhado por duas amigas, que agora vem à tona e abala o relacionamento do trio principal na casa. A história deste filme é a mais aleatória entre todas da trilogia, porém é nela que há a conclusão do caso do criminoso foragido, com um importante auxílio de Johanna. Não me siga, inclusive, teve sua sessão exibida por último no Festival do Rio, trocando de lugar com a terceira parte da trilogia Dreileben, justamente por ser o desfecho do mistério da fuga do criminoso.

O criminoso sexual continua vagando pela floresta da Turíngia, região onde vivem Vera e Bruno (Misel Maticevic) e para onde Johanna, psicóloga da polícia e amiga de Vera, foi enviada para ajudar a solucionar dois casos, incluindo o do molestador. Na residência do casal, ela fica hospedada e passa a fazer parte de suas vidas. Um dia, as duas se dão conta de que dez anos antes estiveram em Munique com o mesmo homem, ao mesmo tempo, sem sequer terem se conhecido, antigas lembranças e sentimentos até então esquecidos ressurgem.


Quando Vera (Susanne Wolff) insistiu para que Johanna (Jeanette Hain) ficasse hospedada em sua casa durante o período que estivesse trabalhando com a polícia na região, ela jamais imaginou que um romance mal acabado do passado viesse à tona novamente em sua vida. Muito menos que sua grande amiga também tivesse tido um caso com o homem pelo qual ela foi apaixonada por um bom tempo. Johanna reconheceu uma pequena escultura, que ganhou do tal homem há anos atrás, numa estante de Vera e lhe perguntou se ela o conhecia, obtendo resposta afirmativa. A partir daí, começou uma série de conversas entre as duas para esclarecer tudo o que houve naquela época, deixando de fora o atual marido de Vera, Bruno (Misel Maticevic); pelo menos inicialmente. Vera não conseguiu mais parar de pensar na inesperada coincidência e ficou inquieta, enquanto Johanna e Bruno começaram a se aproximar cada vez mais pela convivência diária.

Dessa vez, quem dirige e roteiriza a segunda parte da trilogia Dreileben é Dominik Graf (Um Amor Além do Muro, 2006). Ele conduz a trama de forma lenta e reflexiva, sempre atentando para os detalhes e focando nas expressões faciais das personagens. Por ser o fechamento do tema central de toda a trilogia, Dreileben: Não me siga tem uma importância significativa para a mesma; uma responsabilidade e tanto para o seu diretor. Este é o único filme onde aparecem todos os personagens mais importantes da trilogia, mesmo que de forma secundária.


Utilizando um recurso análogo ao de Kieslowsk na Triologia das Cores, Graf faz as histórias se entrelaçarem em alguns momentos. Repete-se aqui uma mesma cena que na primeira parte da trilogia – Algo melhor do que a morte –, mas vista de outro ângulo, o da psicóloga da polícia: quando Johannes entra no quarto do hotel que Ana está arrumando, a beija e a joga na cama, sem perceberem que Johanna passa em frente ao dito quarto e os observa por alguns segundos. A diferença é que em cada filme seus personagens principais são o foco da cena supra citada.

Embora Não me siga seja um bom filme e tenha um papel essencial na trilogia, sua produção fica um pouco aquém do seu antecessor, Algo melhor do que a morte. Perde principalmente pelo ritmo, que vai se tornando cansativo ao longo dos 88 minutos. No entanto ganha em conteúdo rico para reflexão durante toda a película. Um inteligente trabalho de Graf.

*Este texto também foi publicado aqui no Almanaque Virtual.


Festival do Rio 2013 – Escola de Berlim

Dreileben: Não me siga (Dreileben: Komm mir nicht nach)

Alemanha - 2011. 88 minutos.

Direção: Dominik Graf

Com: Jeanette Hain, Lisa Kreuzer, Misel Maticevic, Malou Hain e Susanne Wolff.


Nota: 3

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