quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Michael Haneke - Profissão: Diretor

Dizem que vendo com atenção os filmes podemos conhecer melhor seus diretores; seus pensamentos, suas opiniões, seus traumas, seus medos, seu ego. Será verdade? E como é ser diretor? O que é ser diretor? O que se passa em sua mente ao dirigir um filme? Michael Haneke – Profissão: Diretor é um documentário que busca decifrar a mente nada comum de um dos cineastas mais geniais do cinema mundial: o austríaco Michael Haneke. Começando por Amor, sua mais recente obra, o filme percorre e analise toda a sua filmografia, desde seus primeiros longas-metragens até o premiado A Fita Branca, passando pelos polêmicos A Professora de Piano, Caché e as duas versões de Violência Gratuita. São mostradas entrevistas com atores com quem Haneke já trabalhou, bastidores de filmagens, além de montagens de cenas realizadas pelo diretor Yves Montmayeur.

Há uma unanimidade entre os atores entrevistados: todos admiram muito Haneke, não apenas como diretor, mas também como pessoa. Os motivos são vários: a confiança que ele transmite, seu realismo e competência ao retratar assuntos difíceis, sua honestidade, seu bom humor, simpatia e enorme inteligência. Haneke é direto, tanto com os atores quanto em seus filmes. Só trabalha com assuntos polêmicos e de difícil desmistificação, e de forma radical, a fim de chocar o espectador e fazê-lo refletir. Ele diz que trabalhar com sonhos e torná-los algo “real” em uma película é algo complicado, por isso prefere sempre mostrar a realidade “nua e crua”, ao contrário de David Lynch, que sempre mergulha fundo no mundo dos sonhos. Em contrapartida, Haneke gosta de entrar de cabeça no medo e enfiar o dedo na ferida, assim como Lynch.


Haneke admite ser uma pessoa cheia de medos e que insere muitos deles em seus filmes, assim como experiências pessoais. Em Caché, na cena em que o menino corta a cabeça da galinha, e em A Fita Branca, na cena em que Anna explica sobre a morte a seu irmão, foram inseridas experiências pessoas do diretor. Já Amor e Violência Gratuita têm como base três de seus maiores medos: sentir intensa dor física, ter uma doença grave e envelhecer mal. No entanto, suas obras não possuem traumas de infância, como muitos gostam de especular, pois, no documentário Michael Haneke - Minha Vida, ele diz ter tido uma infância maravilhosa e ser muito mimado por três “mães” – sua mãe, sua avó e sua tia.

Além de ter uma excelente visão, Haneke também tem ouvidos afiados – ele afirma saber quando uma cena saiu errada só de ouvi-la. No documentário Michael Haneke - Minha Vida (2009), da dupla de diretores Felix von Boehm e Gero von Boehm, Haneke declara que não grava várias versões de uma mesma cena quando está filmando, pois já possui em mente o modo ideal de como será a cena. Dessa forma, ele grava apenas uma cena perfeita, exatamente do jeito que imaginou.


Este primeiro documentário (Michael Haneke - Minha Vida) sobre o mestre do cinema Michael Haneke trata mais de sua vida pessoal – sua infância, sua juventude, a relação com a família e o pai que pouco conheceu, como transformou-se em cineasta e o modo como gosta de trabalhar – e de opiniões pessoais, com relatos espontâneos, dos atores com quem já trabalhou, assim como a primeira impressão que causou aos mesmos. Já Michael Haneke – Profissão: Diretor aborda os bastidores de todos os seus longas-metragens, assim como algumas de suas cenas mais marcantes, com a presença dos atores emitindo declarações sobre as filmagens e o modo laboral de Haneke, além, claro, do próprio falando sobre diversos assuntos. De conteúdos iguais aos dois documentários, mas com abordagens diferenciadas, o medo, o mal e alguns trechos de filmes em comum.

O documentário de Yves Montmayeur termina com Amor, que também o introduz. O diretor, amigo antigo de Haneke, conseguiu captar a sua essência de homem e cineasta proficientemente, mostrando ao espectador que Haneke é um ser humano único e age como um maestro numa orquestra, buscando sempre a perfeição em tudo o que faz, principalmente seus incríveis filmes. Um documentário para fãs de Michael Haneke e para admiradores da sétima arte.

*Este texto também foi publicado aqui no Almanaque Virtual.


Festival do Rio 2013 – Mostra Filme Doc

Michael Haneke – Profissão: Diretor (Michael H - Profession: Director)

França / Áustria - 2013. 92 minutos.

Direção: Yves Montmayeur

Com: Michael Haneke, Emmanuelle Riva, Jean-Louis Trintignant, Juliette Binoche, Isabelle Huppert, Béatrice Dalle e Susanne Lothar Matthäus.

Nota: 5

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