quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Os Contos da Noite

O que pode surgir de reuniões noturnas entre uma menina, um menino e um velho senhor em um antigo cinema abandonado? Muita imaginação, magia, aventura e fantasia. Os três amigos pesquisam em livros, computadores, desenham seus trajes e viajam em suas quimeras enquanto a cidade dorme.

O filme é composto por seis contos, que passeiam por cidades de ouro, perigosas florestas, criaturas mágicas, bravos cavaleiros e princesas, inspirando-se em vestimentas, penteados e antigas histórias astecas, africanas e tibetanas. Todos os contos possuem uma forte moral envolvida, evidenciando valores às vezes esquecidos e muitas vezes desvalorizados pela sociedade moderna, como a gentileza, a honestidade e a bondade. O que pode parecer uma história boba a alguns olhos adultos desprovidos de sensibilidade aguçada é, na verdade, uma lição de vida e uma crítica à humanidade. Suas tramas envolvem e até divertem o espectador, mesmo com suas constantes pausas e diferenças entre si.


O que faz toda a diferença em Os Contos da Noite é sua incrível fotografia baseada na arte do teatro de sombras, que dá um efeito de pintura às cenas. As cores do fundo são fortes e os personagens, com silhuetas bem recortadas, são pretos sem feições frontais, somente de perfil, e apenas com os olhos brancos, porém com adereços ricos em detalhes. O 3D, aplicado pela primeira vez em um filme do diretor e animador Michel Ocelot, dá um toque final ao belíssimo contraste entre os personagens e os cenários, assim como em Harry Potter e As Relíquias da Morte – Parte II, dirigido por David Yates, que utiliza a mesma técnica de teatro de sombras na cena em que a personagem Hermione (Emma Watson) lê o Conto dos Três Irmãos para Harry (Daniel Radcliffe) e Ron (Rupert Grint). Além disso, há a presença de sonoridade marcante durante todo o filme, principalmente no que diz respeito a ruídos produzidos pela natureza.

Em Les Contes de La Nuit (no original), Michel Ocelot repete a mesma fórmula utilizada em seu outro longa - um dos mais conhecidos no Brasil -, Príncipes e Princesas (2000), só que com histórias distintas e uma melhor qualidade de imagem, possível pelas novas tecnologias de treze anos de diferença entre ambos. Parece até que um é continuação do outro.


Embora Ocelot afirme não fazer filmes para o público infantil, o tom lúdico de sua última obra cinematográfica é capaz de encantar tanto adultos quanto crianças com suas fábulas ilusoriamente inocentes e cores vibrantes. Os Contos da Noite propicia um contato simultâneo entre nossas reflexões mais profundas e nosso lado pueril sonhador. Uma animação que merece ser apreciada.

*Este texto também foi publicado aqui no Almanaque Virtual.


Os Contos da Noite (Les Contes de La Nuit)

França - 2013. 84 minutos.

Direção: Michel Ocelot

Com: Julien Beramis, Marine Griset, Michel Elias e Yves Barsacq.


Nota: 4

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