terça-feira, 12 de novembro de 2013

Os Mortos e Os Vivos

Quando se fala em Nazismo, a primeira imagem que vem à cabeça é o massacre de judeus em campos de concentração alemães, e isso se reflete no cinema. Poucos são os filmes que retratam o lado das famílias alemãs, o sofrimento que também passaram durante da guerra e a cicatriz que deixa até hoje em seus nativos, principalmente os descendentes dos que foram recrutados para a guerra e de nazistas.

Um filme que retrata muito bem a vida da família alemã no período da Segunda Guerra Mundial é O Menino do Pijama Listrado. A família se muda de Berlin para Auschwitz, onde a esposa não sabe tudo o que acontece lá e vira praticamente uma prisioneira junto com seus filhos na casa onde foram alocados. Bruno, o filho de 8 anos, resolve dar uma escapada para explorar o lugar e conhece Shmuel, um menino judeu que está preso no campo de concentração com seus pais, nascendo uma grande amizade secreta. Neste filme, é possível perceber o mal que o ódio, o preconceito e a violência causaram não só aos judeus, como também a uma família alemã, cujo chefe era um importante oficial nazista.


Em Os Mortos e Os Vivos, é mostrado como o Nazismo ainda afeta as famílias alemãs mesmo depois de tanto tempo do fim da guerra. Sita é uma jovem curiosa e alegre que, ao ver uma foto de seu avô com uniforme militar da SS no seu aniversário de 95 anos, começa a investigar o passado negro de sua família durante a Segunda Guerra Mundial. Ela parte em busca de respostas, indo de Berlim até Viena, Varsóvia e Romênia. A cada novo passo que dá, novas revelações são feitas, deixando-a perdida e perplexa.

Enquanto se depara com evidências chocantes sobre sua família (especialmente de seus avós paternos) que vão contra tudo o que acredita, Sita se envolve e se desilude com um homem, faz amizades e se aproxima mais do pai após a morte do avô. Em sua jornada, ela vai da tristeza à euforia, da decepção à obstinação, amadurece e se redescobre como uma mulher sensível e forte. Na película Uma Vida Iluminada, o personagem Jonathan (Elijah Wood) sai em busca de verdades sobre seu avô na Segunda Guerra Mundial. Ele é um judeu americano que quer encontrar a mulher que salvou seu avô durante a ocupação nazista na Ucrânia, enquanto Sita sai à procura de possíveis maldades que seu avô tenha feito durante a guerra. Assim como Sita, a jornada ucraniana de Jonathan torna-se um meio de autodescoberta, de perda de medos e também de novas amizades. Jonathan e Sita possuem missões idênticas, porem estão em lados opostos. Uma interessante coincidência paradoxal.


Em seu 13º longa-metragem, Barbara Albert revela o outro lado da história nazista e mostra que enfrentar a verdade, por mais dura que seja, é sempre melhor do que viver numa mentira. A diretora ainda coloca em pauta a discussão sobre julgamentos errados que fazemos uns dos outros e o instinto de sobrevivência humano. O resultado é um filme forte e delicado, feito para refletir sobre questões importantes que até os dias atuais são delicadas para a Alemanha.

*Este texto também foi publicado aqui no Almanaque Virtual.


Festival do Rio 2013 – Foco Alemanha

Os Mortos e Os Vivos (Die Lebenden)

Alemanha / Polônia / Áustria - 2012. 100 minutos.

Direção: Barbara Albert

Com: Anna Fischer, Hanns Schuschnig, Itay Tiran, Daniela Sea e August Zirner.


Nota: 4

Um comentário:

Leila disse...

Os filmes sobre a Segunda Guerra Mundial geralmente são bem interessantes.

Adorei o blog!
Estou seguindo.

www.meuslivrosesonhos.blogspot.com.br
*Ficarei feliz com uma visita sua ao meu blog!

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...