sábado, 7 de dezembro de 2013

Coletiva de Imprensa de Crô – O Filme

No dia 11 de novembro, estive presente, pelo Almanaque Virtual, na coletiva de imprensa do longa-metragem de um dos personagens mais divertidos das telenovelas brasileiras, que ocorreu em um hotel no Rio de Janeiro. O spin-off da novela “Fina Estampa”, intitulado Crô – O Filme, foi exibido antes da coletiva em um cinema em Botafogo, numa sessão para a imprensa, que teve o prazer de assistir à versão final antes mesmo do elenco e do próprio roteirista, que é também autor da novela e criador do personagem-título. Mais tarde, no período da noite do mesmo dia, aconteceu a pré-estreia do filme, num cinema da Barra da Tijuca, que contou com a presença de muitos famosos, além de quase todo o elenco, do diretor, da produtora e do roteirista.

Na coletiva, os atores Marcelo Serrado, Katia Moraes e Carlos Machado, o diretor Bruno Barreto, o roteirista Aguinaldo Silva e a produtora Paula Barreto conversaram e responderam às perguntas dos jornalistas em tom descontraído, evidenciando como foi prazeroso realizar este trabalho, mesmo com todas as dificuldades financeiras e em tempo recorde (menos de 1 ano), por se tratar de um filme de ocasião. Foi sentida a falta de Carolina Ferraz, Milhem Cortaz e, principalmente, de Alexandre Nero, que interpreta Baltazar, o complemento e o contraponto de Crô, numa dinâmica de O Gordo e O Magro, como apontado por Serrado durante as entrevistas.

Foto por Raíssa Rossi

O diretor Bruno Barreto abriu as entrevistas explicitando como surgiu a ideia de realizar um filme sobre Crodoalvo Valério. Ele diz que assistiu aos primeiros capítulos da novela “Fina Estampa”, ficou encantando com o personagem e teve vontade de fazer um filme sobre ele. Entrou em contato com Aguinaldo Silva, que escreveu um roteiro que lhe agradou muito, e assim a ideia começou a tomar forma. Sobre o caminho percorrido para chegar ao roteiro, o autor disse que se baseou no fim que o personagem teve na novela e criou uma história para ele desvinculada da mesma, incluindo três personagens básicos do núcleo de Crô – o próprio, Baltazar e Marilda. Como o cinema permite muitos elementos que a televisão não permite, o autor pôde incluir o enredo sobre o trabalho escravo, dando mais dramaticidade à comédia, o que, em sua opinião, não seria facilmente suportado durante 6 meses na novela. Sobre com quem Crô ia terminar a novela, Silva disse que aproveitou o filme para dar ao público o final que tanto queriam que tivesse ocorrido na novela, além da revelação do mistério de quem era o amante de Crô, que deixou os telespectadores se roendo de curiosidade após o término de Fina Estampa. Ivete Sangalo, que interpreta a mãe de Crô, foi a primeira musa do novo milionário. Ao abraçar a profissão de mordomo, Crô passou a fazer o que sabia de melhor: servir mulheres poderosas, suas rainhas do Nilo. Depois que ficou rico, parou de trabalhar e ficou entediado, sem sentido na vida. Por isso, decidiu voltar a trabalhar como mordomo, uma missão que parecia fácil, mas que acabou mudando completamente a vida do nosso divertido protagonista.

Marcelo Serrado, ao ser perguntado sobre a repercussão de seu personagem, eleva Aguinaldo Silva, afirmando que este tem uma enorme capacidade criativa, elaborando diversos personagens marcantes e eternos para a televisão, como Narazé Tedesco (vivida intensamente por Renata Sorrah) e Giovanni Improtta (interpretado por José Wilker e que também ganhou um spin-off com o nome do personagem este ano, porém sem o roteiro do autor) da novela Senhora do Destino. O sucesso sempre é esperado, mas Crô ultrapassou as suas expectativas e do autor, além da barreira dos preconceitos por ele ser um homossexual assumido, sendo bem aceito pela comunidade gay e muito amado pelas crianças. E por que as crianças amam o Crô? Aguinaldo Silva responde: “Porque o Crô é o Pica-Pau!”. Crô é um personagem lúdico, infantil, tanto que na trama ele é comparado a um boneco da personagem mirim Paloma, que se identifica de cara com o ex-mordomo.

Por ter se apegado ao personagem, Serrado afirmou ter um desejo de utilizá-lo em outro projeto, mas não fazia ideia de que ele teria seu próprio filme, sendo pego de surpresa por Barreto com o convite para a filmagem. Sua única exigência ao diretor foi, em suas palavras, que “o roteiro fosse do Aguinaldo” para não virar um híbrido com qualidade inferior ao presente resultado; e Silva afirmou logo em seguida, aos risos, que só permitiria a realização do filme se o roteiro fosse dele.

Foto por Raíssa Rossi

Silva conta sobre a dificuldade que foi convencer a produção da novela de que Serrado seria perfeito para o papel de Crô, pois ele vinha de um personagem extremamente violento em outro trabalho, e que foi surpreendido pelo talento do ator, que agradece ao fato de o autor arriscar em suas escolhas e por ter sido eleito para o papel. Serrado diz que gosta de interpretar “tipos”, dando gancho a Barreto para falar que gosta de variar nos gêneros dos filmes que faz “para não enferrujar”. Ele ainda disse que foi muito mais complicado dirigir o filme do mordomo mais famoso do Brasil que dirigir o belíssimo Flores Raras, devido ao fato de, para ele, a comédia ser o gênero mais difícil que existe para tornar uma história crível e do personagem já ter vindo construído da televisão, tendo necessidade de adaptação para a linguagem cinematográfica. Pelo fato de Crô ser um personagem muito peculiar, com expressões faciais engraçadas, trejeitos e roupas extravagantes, a comédia não fica por conta apenas do texto, com piadas, ela é muito visual, o que torna o filme mais leve e interessante, segundo o diretor. Há ainda as participações especiais de Ana Maria Braga e Gaby Amarantos.

Acerca do tema da exploração de trabalho de costureiras bolivianas em São Paulo, uma escravidão existente ainda nos dias de hoje, Silva confessa que pensou imediatamente neste assunto quando Barreto lhe pediu para escrever o roteiro, pois é um assunto que já lhe incomoda há um certo tempo e que mostraria um outro lado do Crô que não fosse o cômico, seguindo por um viés mais denso, dramático e humano do personagem. A atriz Úrzula Canaviri, que interpreta a pequena Paloma, recebeu elogios do ator Carlos Machado e Barreto mencionou que ela foi encontrada pela produtora de elenco Márcia Andrade – que já fez outros três trabalhos com ele e selecionou o elenco de Fina Estampa – num grupo folclórico de dança boliviana em São Paulo. Sobre o fim da película, que se emenda aos créditos finais no formato de desenho animado, Barreto disse que a ideia foi dele e que foram feitos por uma talentosa dupla de animadores.

Aguinaldo Silva, que se popularizou escrevendo roteiros para novelas na Rede Globo, iniciou sua carreira escrevendo roteiros para o cinema (Prova de Fogo, dirigido por Marco Altberg), e revela que é o que mais tem prazer em escrever. Ele diz que gosta menos de escrever novelas porque “A novela é como se fosse uma fábrica de pizza: está sempre saindo uma do forno e já tem a outra. No cinema, tem tempo para melhorar”.

Foto por Raíssa Rossi

Questionada sobre as dificuldades financeiras do projeto, Paula Barreto relatou que houve muitas, já que o filme não é patrocinado por nenhuma empresa, somente pela Paris Filmes, Downtown Filmes, Globo Filmes, RioFilme e LC Barreto. Paula também afirmou que foi difícil encontrar empresas interessadas em fazer product placement no filme, pelo fato de o personagem ser homossexual, demonstrando um preconceito velado e latente ainda nos dias de hoje. Somente a empresa Rei do Mate teve interesse em aparecer em duas cenas do filme. O valor gasto para produzir o filme (5,2 milhões) foi maior que o valor captado (quase 4 milhões), deixando um vermelho de mais ou menos 2 milhões de reais. Nas palavras de Paula: “hoje em dia no mercado as mecânicas de financiamentos que tem não atendem ao ritmo industrial de produção. Então você tem que ir para banco.” Dessa maneira, ela espera o filme faça sucesso entre os espectadores para que a dívida possa ser quitada.


Crô – O Filme estreia em aproximadamente 400 salas em todo o Brasil, no dia 29 de novembro, com classificação livre.


*Este texto também foi publicado aqui no Almanaque Virtual.

Nenhum comentário:

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...