quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Grand Central

Histórias de amores proibidos e complicados sempre fazem sucesso no cinema, desde um namoro adolescente banido pelos pais a um caso com uma pessoa casada. O que mais envolve o público neste tipo de enredo é a intensidade e a excitação do amor e a entrega do casal apaixonado. Não é o caso de Grand Central, novo filme de Rebecca Zlotowski.

Gary é um jovem sem muita qualificação laboral que consegue um emprego na usina nuclear de uma cidade próxima. Ele se muda, começa a se enturmar com seus colegas de trabalho e se apaixona por Karole, esposa de um deles, Toni. A partir daí, Gary se expõe a cada vez mais perigos por esse amor, principalmente à contaminação radioativa. Na primeira reunião de vizinhos e colegas de trabalho, é cantarolada a música “Maladie d’amour”, cujo trecho “Maladie d’amour maladie de la jeunesse” (em português: “doença de amor, doença da juventude”) define todo o comportamento irresponsável que Gary tem por causa do amor que nasceu por Karole ao longo da trama. Quando o seu nível de radiação começa a alcançar o limite máximo permitido, Gary esconde seu dosímetro para poder continuar trabalhando na usina e estar perto de Karole, arriscando sua saúde e até a sua vida. Inconsequentemente, Gary não pensa em mais nada a não ser continuar encontrando Karole, pensa que a radiação não vai afetá-lo tanto por ser jovem. Doente de amor, doente de corpo.


Após dar vida à descolada pintora homossexual de cabelos azuis Emma em Azul é a Cor Mais Quente (Abdellatif Kechiche, 2013), Léa Seydoux interpreta a indecisa Karole em Grand Central, em sua segunda parceria com a diretora Rebecca Zlotowski. Com uma expressão blasé recorrente e falta de emoção, a força de Léa Seydoux empenhada para a personagem Karole não chega nem perto da competência desempenhada como Emma. O mesmo ocorre em Belle Épine (2010), primeiro longa da diretora; falta verdade em ambas as personagens. Talvez o nível de exigência de Zlotowski não seja muito alto, já que a mesma atriz brilhou na película de Kechiche e se envolveu em uma polêmica com o mesmo, pelo fato de este exigir incessantes repetições das cenas mais íntimas com Adèle Exarchopoulos. Tahar Rahim – que também está no elenco do filme O Passado (2013), do diretor Asghar Farhadi, cujo longa A Separação concorreu ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2012 e ganhou vários outros prêmios – interpretou bem seu Gary, mas nada excepcional, assim como Denis Menochet e Olivier Gourmet nos papeis de Toni e Gilles, respectivamente.


Embora levante um tema interessante – o cotidiano de quem trabalha numa usina nuclear e os riscos da contaminação por radiação – Grand Central não consegue cativar o espectador. Não por seu ritmo lento, e sim pela falta de química entre o casal protagonista e a falta de verdade que a paixão de ambos transmite. Não há excitação nem intensidade no olhar e nos gestos de Gary e Karole, tudo é morno, até seus diálogos. Outro ponto contra são os clichês mal trabalhados, como o modo pela qual Toni descobre que foi traído por sua esposa e seu mais recente amigo. Como diz o jargão popular, “o corno é sempre o último é saber”. Ele finge não perceber, até que um fato o obriga a admitir que tem conhecimento do caso extraconjugal de sua amada.

É somente um detalhe, mas se você tem ouvidos sensíveis, sofre de vertigem ou labirintite, não assista a esse filme. O som do alarme de perigo da usina, disparado diversas vezes durante a película, é bem desagradável e pode ser ensurdecedor.

*Este texto também foi publicado aqui no Almanaque Virtual.


Grand Central (Idem)

França - 2013. 96 minutos.

Direção: Rebecca Zlotowski

Com: Tahar Rahim, Léa Seydoux, Denis Menochet e Olivier Gourmet.

Nota: 2

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