quinta-feira, 5 de junho de 2014

A Culpa é das Estrelas

Paralelamente a tantos lançamentos cinematográficos baseados em séries best sellers de distopias adolescentes (vide Jogos Vorazes, Os Instrumentos Mortais - Cidade dos Ossos, Dezesseis Luas, Divergente e os que ainda serão lançados Fallen e The Maze Runner) nos últimos anos, eis que o gênero drama, com histórias mais realistas sobre jovens com doenças terminais, também vem se destacando em ambos os meios. É o caso de A Culpa é das Estrelas, novo longa-metragem do diretor Josh Boone (de Ligados pelo Amor, 2012) baseado no romance homônimo de John Green, que obteve estrondoso sucesso mundial entre os jovens. Hazel Grace Lancaster (Shailene Woodley) é uma adolescente com câncer terminal, que teve sua vida prolongada por mais alguns anos devido a uma droga experimental que diminuiu o seu tumor. Depois de esbarrar com um charmoso garoto no Grupo de Apoio a Crianças com Câncer, Augustus Waters (Ansel Elgort), a vida dos dois toma um rumo diferente e um passa a ser o porto seguro do outro.


Enquanto Hazel está em constante tratamento há anos, Gus já passou dessa fase e está curado. Como na maioria das histórias de amor, especialmente as adolescentes, a simpatia e a sintonia entre os dois são imediatas e logo percebidas pelo espectador. Hazel e Gus são o que podemos chamar de casal fofo, mas não meloso, como é o caso do casal formado por Isaac (Nat Wolff, na segunda parceria com Boone), melhor amigo de Gus, e Monica (Emily Peachey). A relação de Hazel e Gus se assemelha muito à de Annabel (Mia Wasikowska, de Alice no País das Maravilhas e Segredos de Sangue) e Enoch (Henry Hopper) no longa Inquietos (2011), de Gus Van Sant, do mesmo modo que as duas protagonistas têm atitudes parecidas perante a doença, a vida e a morte. Já Enoch lembra o personagem Adam, vivido por Jeremy Irvine (de Cavalo de Guerra e Grandes Esperanças), no britânico (e com o título pessimamente traduzido para o português) Agora é Para Sempre (Now Is Good, 2012), de Ol Parker, pelo sofrimento e dedicação à amada em seu pouco tempo de vida – nesse caso, Tessa, interpretada por Dakota Fanning (de O Amigo Oculto e The Runaways - Garotas do Rock).


Com diferentes metáforas sobre amor, vida e morte, as três películas possuem alguns pontos em comum, como a personalidade das três meninas protagonistas e os citados anteriormente. No entanto, A Culpa é das Estrelas se destaca entre as outras duas pela reviravolta no enredo envolvendo Gus, que dá outra perspectiva à história e sensibiliza ainda mais o público. A química já existente entre Shailene Woodley e Ansel Elgort (que recentemente interpretaram irmãos em Divergente), em conjunto com uma atuação longe de ser excelente, mas convincente, com certeza contribui muito para tal. Willem Dafoe (de Homem-Aranha e Anticristo), apesar de seu pequeno papel no filme como Peter Van Houten, o escritor em crise do livro favorito de Hazel “Uma Aflição Imperial”, e Laura Dern, musa de David Lynch que interpreta a mãe de Hazel, também são importantes para o desenrolar da trama.


Há quem não acredite no significado das cores, mas não parece ser o caso de Boone, já que a cor mais fria entre as cores frias é tão recorrente durante a trama. Com algumas mudanças entre os tons, azul é considerada a cor da tranquilidade, da serenidade, do intelecto, da eternidade e também da depressão, além de ser associada à saúde. Não à toa, desde detalhes no tênis de Gus, passando pelas roupas de personagens diversas e partes dos cenários, até a parede do quarto com pôsteres, a mochila com oxigênio e as unhas de Hazel, a cor azul está presente. Azul é, inclusive, a cor da capa do livro de John Green, que participou ativamente das gravações do filme e se enturmou bastante com os atores.


Embora tenha havido cortes em partes mais fortes do livro e certa aceleração nos fatos, como é comum ocorrer em adaptações, The Fault in Our Stars (no original) vai agradar bastante os fãs literários e, claro, o público que for ao cinema. A dupla de roteiristas Michael H. Weber e Scott Neustadter (de (500) Dias com Ela, The Spectacular Now – também protagonizado por Woodley – e responsável pela nova adaptação de outro livro de John Green, "Cidades de Papel") conseguiu resumir bem a história de Hazel e Gus nos 125 minutos de fita. A Culpa é das Estrelas é um melodrama e possui clichês de gênero, mas emociona, surpreende com o plot twist inexistente em obras símiles e é passível de causar identificação tanto pelo romance quanto pelo drama, fazendo com que haja maior envolvimento do espectador com a trama. Sim, alguns infinitos são maiores que outros.

*Este texto também foi publicado aqui no Almanaque Virtual.


A Culpa é das Estrelas (The Fault in Our Stars)

EUA - 2014. 125 minutos.

Direção: Josh Boone

Com: Ansel Elgort, Shailene Woodley, Sam Trammell, Nat Wolff, Emily Peachey, Laura Dern, Willem Dafoe, Lotte Verbeek e David Whalen.


Nota: 4

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