quinta-feira, 31 de julho de 2014

Filha Distante

Mais uma vez tendo a gelada Patagônia como cenário e temáticas já exploradas em películas anteriores, o cineasta argentino Carlos Sorín (“O Cachorro”) traz mais uma dose de emoção e realismo aos cinemas. “Filha Distante”, seu último trabalho, estreou em 2012 no Festival do Rio e só agora entrou no circuito nacional. No filme, Marco Tucci (Alejandro Awada, de “Nove Rainhas” e “De Terça a Terça”) é um solitário cinquentão, um alcóolatra em recuperação que acabou de deixar uma clínica de desintoxicação e está à procura de sua filha Ana (Victoria Almeida) na Patagônia e de uma virada na vida.


Sorín, responsável pelo roteiro e direção, conduz a trama de forma leve e delicada, dando atenção aos pequenos detalhes cotidianos. Apesar de bastante simples, a história é algo com o qual o espectador pode facilmente se identificar, por ser próxima do real, uma característica da filmografia do cineasta. Enquanto no longa “A Janela” (2009) o pai idoso espera por seu filho, em “Filha Distante” é o pai que vai atrás de sua filha com quem não tem contato há tampos. Assim como em “Histórias Mínimas”, a vida Marco se cruza com a vida de outras interessantes personagens durante sua busca por Ana e por si mesmo. O mesmo ocorre com o personagem de Emile Hirsch quando decide largar tudo para viajar livremente pelos EUA no filme “Na Natureza Selvagem”, de Sean Penn. A pesca, cuja prática Marco tenta desenvolver em sua estadia na Patagônia, é somente um detalhe no enredo se analisarmos o todo, porém serve como metáfora para o empenho e a paciência do protagonista em encontrar e voltar a conviver com sua filha, distante de corpo e de alma. Os planos abertos que evidenciam a ideia de distanciamento em diferentes cenas fazem da escolha da tradução do título em português uma boa opção, embora menos abrangente que o escolhido por Sorín.


Vencedor do prêmio SIGNIS no Festival Internacional de San Sebastián de 2012, “Días de Pesca” (no original) é um road movie sobre buscas e recomeços que trata de maneira sutil assuntos familiares e sentimentos, com poucos e precisos diálogos e foco nas límpidas expressões de Alejandro Awada. Com uma trilha sonora encantadora e acolhedora, “Filha Distante” é um filme que não acaba no final, pois a vida continua.

*Este texto também foi publicado aqui no Almanaque Virtual.


Filha Distante (Días de Pesca)

Argentina - 2012. 77 minutos.

Direção: Carlos Sorín

Com: Alejandro Awada e Victoria Almeida.


Nota: 3

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