sexta-feira, 26 de setembro de 2014

A Oeste do Fim do Mundo

Coprodução entre Brasil e Argentina vencedora do Brafftv – Brazilian Film & TV Festival of Toronto 2013 (Melhor Filme e Melhor Atriz), “A Oeste do Fim do Mundo” é o mais recente filme de Paulo Nascimento, que repete a mesma parceria de “Em Teu Nome” com os três atores principais. Em meio à desértica paisagem andina, encontra-se Leon (César Troncoso), um homem solitário, misterioso e de poucas palavras, dono de um pequeno posto de gasolina, que possui como única intervenção ao seu marasmo algumas ligações monologais de seu filho, a passagem de alguns caminhoneiros e a visita do motoqueiro brasileiro Silas (Nelson Diniz). Até o dia em que surge Ana (Fernanda Moro), uma mulher também brasileira tão enigmática quanto ele a caminho de Santiago, que perdeu seu ônibus e precisa de abrigo por um dia. Ou talvez mais.


Após um primeiro contato hostil, Leon logo se vê envolvido por Ana e ela, por ele. A relação entre os dois é construída lentamente através de sutilezas, olhares, pequenas mudanças de atitude. A comida exerce um importante papel nessa transição, já que de pálida e sem sabor, ganha um novo tempero e uma nova cor, assim como a vida de Ana e Leon. A tagarelice e curiosidade da hóspede antes indesejável faz o traumatizado veterano da Guerra das Malvinas desenterrar o passado e o ajuda a finalmente deixá-lo para trás para começar a mirar o futuro, e o mesmo acontece com Ana. O encontro de duas almas perdidas, cada uma com seu sofrimento incrustado, foi um grande beneficio mútuo, da mesma maneira que no longa francês “Lulu, Nua e Crua”, de Sólveig Anspach.



Com ares mais argentinos que brasileiros, “A Oeste do Fim do Mundo” evidencia a maturidade de Nascimento como diretor e roteirista. Sua película mostra que a busca pelo porto seguro nem sempre é fácil, mas que é possível encontrá-lo onde menos se espera, lembrando ótimas produções argentinas como as recentes “Filha Distante” (Carlos Sorin) e “Las Acacias” (Pablo Giorgelli). A bela fotografia de Alexandre Berra, que não utiliza iluminação especial, em conjunto com a ótima sonorização de Renato Müller, que inclui o constante e forte canto dos ventos do deserto, compõem um cenário perfeito para o enredo de Nascimento, que tem como base o estado de auto-reclusão em que se encontram seus personagens. Um filme que poderia muito bem ser protagonizado por Ricardo Darín, que interpretou um personagem de personalidade similar que passa por uma situação parecida com a de Leon em “Um Conto Chinês” (Sebastián Borensztein).

Envolvente do início ao fim, “A Oeste do Fim do Mundo” é uma história sobre laços – perdidos, renovados e criados. É o destino colocando algo novo no caminho de quem já não esperava nada da vida, e de forma belíssima.

*Este texto também foi publicado aqui no Almanaque Virtual.


A Oeste do Fim do Mundo

Brasil - 2013. 102 minutos.

Direção: Paulo Nascimento

Com: César Troncoso, Fernanda Moro e Nélson Diniz.


Nota: 4

Um comentário:

Paola Sánchez disse...

Uma excelente produção que destaca na história do cinema e um excelente elenco. Eu adoraria ver o César Troncoso ator, e seu desempenho neste filme é para ser apreciado. Um filme vale a pena ver.

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