segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Isolados

Ao mesmo tempo em que aposta em comédias blockbusters para gerar bilheteria certa, o cinema nacional também vive uma fase muito produtiva, investindo em produções de gênero que antes eram quase exclusivas do cinema estrangeiro, principalmente americano. Nos últimos anos, longas de terror e suspense, como “O Lobo Atrás da Porta”, “Gata Velha Ainda Mia”, “Quando Eu Era Vivo” e o mais recente “Confia em Mim”, têm surgido com frequência nessa fase de renovação do nosso cinema e têm ganhado cada vez mais espaço entre o público. Depois de dirigir um filme de comédia (“Qualquer Gato Vira-Lata”), Tomas Portella se arrisca nesta tendência em seu segundo longa-metragem e nos apresenta “Isolados”. Nele, o psiquiatra residente Lauro (Bruno Gagliasso) e sua namorada Renata (Regiane Alves) vão passar um tempo numa casa isolada na Região Serrana do Rio de Janeiro, numa área onde há sucessivos ataques violentos a mulheres, fato que ele esconde de Renata alegando ser por ela ser muito sensível e impressionável. Quando sente o perigo se aproximando, Lauro decide proibi-la de sair de casa, e é aí que começa a agonia do casal durante o seu isolamento.


Assumidamente inspirado em conhecidos filmes do gênero, como “Sexto Sentido”, “O Iluminado” e “A Ilha do Medo”, “Isolados” é um aglomerado de clichês, que vão desde objetos de cena, como bonecas macabras e pinturas bizarras, e trilha sonora mais do que característica até a iluminação utilizada em certas sequências e a ocorrência de situações improváveis na vida real (já batidas em suspenses), como manter os planos mesmo depois de saber que a região é perigosa e sua namorada está em recuperação. O roteiro de Mariana Vielmond, também vinda da comédia (“Giovanni Improtta”), possui algumas incongruências e se perde em diversos momentos, em especial ao mostrar três flashbacks sem função para a história, um deles com a participação simbólica de seu pai, José Wilker, como mentor de Lauro. Por outro lado, o desfecho, embora já batido, apresenta uma saída satisfatória para o desenrolar da trama.


Juntam-se ao roteiro frágil de Vielmond e à direção inexperiente de Portella movimentos de câmera desnecessários e atuações medianas, porém convincentes, de todo o elenco. Apesar de Regiane Alves crescer um pouco como Renata ao longo da película, o destaque fica para o protagonista Bruno Gagliasso, que consegue transmitir ao espectador o desespero de seu personagem e a transferência da paranoia de sua namorada para si. No final, “Isolados” acaba sendo apenas mais um thriller psicológico no meio de tantos outros, que deixa aquela velha sensação de conteúdo já visto em outras produções melhor desenvolvidas, mas ainda assim não deixa de ser uma iniciativa muita válida dentro do atual cenário do cinema brasileiro.

*Este texto também foi publicado aqui no Almanaque Virtual.


Isolados

Brasil - 2014. 90 minutos.

Direção: Tomas Portella

Com: Bruno Gagliasso, Regiane Alves, José Wilker, Juliana Alves, Orã Figueiredo, Sílvio Guindane e Carol Macedo.


Nota: 2

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