quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Se Eu Ficar

Chloë Grace Moretz, uma das atuais queridinhas teen de Hollywood, após estrelar o remake do clássico do terror “Carrie - A Estranha”, é a protagonista do drama “Se Eu Ficar”, baseado no best-seller homônimo de Gayle Forman. No longa, dirigido por R.J. Cutler (da série "Nashville"), Chloë é Mia, uma menina de 17 anos em coma que precisa decidir se quer ou não acordar depois de sofrer um grave acidente com os pais e o irmão. 



If I Stay” (no original) é aquela típica história americana sobre o primeiro amor adolescente no estilo ‘os opostos se atraem’ que enfrenta constantes problemas para se manter, e também envolve os temas já batidos música e família em seu enredo. Mia e Adam (Jamie Blackley) são músicos – ela toca violoncelo e ele é guitarrista de uma banda de rock em início de carreira. Ela é tímida e deslocada, ele é popular e extrovertido. Ela tem uma família unida e descolada, ele não tem mais família. Tudo parece se encaixar perfeitamente até que os desentendimentos começam a surgir para atrapalhar a relação. Mesmo depois da quase-morte de Mia, o amor entre Adam e ela permanece forte, e é o maior incentivo para que ela continue viva, embora a dúvida persista durante quase toda a trama. Mia coloca na balança a perda da família de um lado e o amor que sente por Adam e pela música do outro. Dada a previsibilidade do roteiro de Shauna Cross (“Garota Fantástica” e “O Que Esperar Quando Você Está Esperando”), não é necessário pensar muito para se descobrir qual deles terá o maior peso na decisão final da apaixonada violoncelista. A motivação da protagonista para acordar do coma em “Se Eu Ficar” é semelhante à da comédia romântica “E Se Fosse Verdade”, de Mark Waters, em que a alma da personagem de Reese Whiterspoon em coma se apaixona pelo personagem de Mark Ruffalo, que é quem, de fato, impede que ela morra por amá-la. Porém fica só aí a semelhança.


Como casal, Mia e Adam não são nem de longe tão cativantes quanto Hazel (Shailene Woodley) e Gus (Ansel Elgort) o são em “A Culpa é das Estrelas”, outro filme deste ano que gira em torno de um amor adolescente que passa por adversidades relacionadas à saúde. Apesar disso, Chloë e Jamie convencem em seus respectivos papéis e utilizam alguns clichês para fazer o público rir e chorar. Quem rouba a cena são os pais de mia, Denny (Joshua Leonard) e Kat (Mireille Enos), que deixaram a vida de roqueiros inconsequentes para cuidar dos filhos, mas nunca permitiram que o rock deixasse suas vidas. São deles as melhores tiradas de humor e instantes de reflexão do filme. Os flashbacks são o ponto alto da película, já que neles residem a trajetória do romance e os divertidos e emocionantes momentos em família, enquanto o presente, que se passa quase que inteiramente no hospital pós-acidente, é bastante melodramático. O excesso de clichês, misturado àquela sensação de já termos visto boa parte daquelas cenas em outras produções, faz o longa cair na armadilha da trivialidade. Ainda assim, “Se Eu Ficar” possui seus atrativos, especialmente ao público ao qual se destina.

*Este texto também foi publicado aqui no Almanaque Virtual.


Se Eu Ficar (If I Stay)

EUA - 2014. 106 minutos.

Direção: R.J. Cutler

Com: Chloë Grace Moretz, Jamie Blackley, Mireille Enos, Joshua Leonard, Liana Liberato, Aliyah O'Brien e Jakob Davies.

Nota: 3

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